Norma técnica define pressão mínima da água e reforça necessidade de pressurização em prédios com mais de dois pavimentos

Norma técnica define pressão mínima da água e reforça necessidade de pressurização em prédios com mais de dois pavimentos

Plano de setorização equaliza a pressão hidráulica na cidade e sinaliza para necessidade de soluções técnicas de pressurização 

A Concórdia Saneamento está executando um plano de setorização e redução de perdas de água tratada na rede de abastecimento da cidade. Uma das principais ações para reduzir a incidência de rompimento de tubulações e vazamentos é a instalação de válvulas redutoras de pressão (VRPs) no sistema de distribuição de água. Com a equalização da pressão da água em toda a cidade, imóveis a partir de dois pavimentos precisam adotar soluções técnicas para abastecer os reservatórios superiores, e não depender exclusivamente da pressão da rede pública.

A norma brasileira ABNT NBR 12218 indica que a pressão mínima de fornecimento no hidrômetro do cliente deve ser de 10 metros de coluna d’água (10 mca), considerado suficiente para garantir o abastecimento básico dos imóveis localizados ao nível da via pública, sem prejuízo à segurança e à integridade da rede. A concessionária não tem obrigação legal de garantir pressão para abastecer pavimentos superiores.

Desde o início de 2025, a rede de distribuição de Concórdia recebeu a instalação de mais de 25 VRPs, totalizando cerca de 50 equipamentos operando. “O objetivo é equalizar as pressões, que ainda são bastante elevadas, reduzindo-as para pressões dentro da faixa regulamentar”, explica o superintendente da Concórdia Saneamento, José Roberto Epstein.

A orientação é para que responsáveis por imóveis busquem adequação e evitem problemas em função da nova condição de pressão. “É importantíssimo e uma questão obrigatória que os imóveis com mais de dois pavimentos tenham o seu reservatório inferior e a sua bomba de recalque, para que possa estar com o abastecimento regular e sem ter problemas de secar a sua caixa superior”, alerta Epstein.

Como fazer

Prédios que contam apenas com a caixa superior devem instalar um reservatório inferior com pressurizador (bomba de recalque), para que possa dar mais pressão à água, para que chegue ao andar superior. “Isso é uma instalação rápida, barata, de fácil viabilização e que, com certeza, vai ajudar bastante a regularidade do abastecimento, principalmente desses imóveis com mais de dois pavimentos que não têm reservação inferior”, ressalta Epstein. O reservatório inferior deve ter capacidade de 500 ou 1000 litros, suficiente para receber a conexão da rede pública e manter o pressurizador operacional.

No caso de imóveis mais antigos onde não há condição de colocar caixa inferior, a instalação apenas do pressurizador diretamente na rede não é recomendada. Essa situação pode provocar transientes hidráulicos, que são variações rápidas e temporárias de pressão e vazão que ocorrem quando há mudanças bruscas no regime de escoamento. “Em situações bem pontuais, é importante que seja solicitada a autorização da Concórdia Saneamento, para que possamos avaliar a condição. Havendo possibilidade para viabilizar a instalação e a pressurização, vamos dar a anuência, desde que tenhamos condições técnicas de atender”, ressalva o superintendente.

As normas

A legislação e as normas técnicas que regem os serviços de abastecimento de água estabelecem limites claros para a pressão que deve ser entregue pela concessionária até o hidrômetro dos imóveis. Em Santa Catarina, a exigência segue os parâmetros da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e da regulação aplicada pelas agências reguladoras, como a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (ARIS).

  1. ABNT NBR 12218: a pressão mínima de fornecimento na ligação predial deve ser de 10 metros de coluna d’água (10 mca). Esse valor é considerado suficiente para garantir o abastecimento básico dos imóveis localizados ao nível da via pública, sem prejuízo à segurança e à integridade da rede.
  2. ABNT NBR 5626:  a responsabilidade da concessionária se estende até o ponto de entrega da água, normalmente o cavalete ou hidrômetro. A partir desse ponto, toda a infraestrutura interna do imóvel (tubulações, reservatórios e sistemas de bombeamento) passa a ser de responsabilidade do usuário.